Espanha projeta crescimento de 2,6% em 2026 e desemprego no menor nível em 18 anos

Espanha projeta crescimento de 2,6% em 2026 e desemprego no menor nível em 18 anos

Dados divulgados por Sánchez em balanço anual indicam mercado de trabalho aquecido — cenário relevante para brasileiros que planejam trabalhar no país

MADRI – O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, apresentou nesta terça-feira (28) o relatório anual Cumpliendo, uma prestação de contas do seu governo ao país, com projeção de crescimento econômico de 2,6% para 2026, geração de 621 mil novos empregos no último ciclo e taxa de desemprego abaixo de 10% pela primeira vez em 18 anos.

Para brasileiros que vivem na Espanha ou avaliam uma mudança para o país, os números têm implicação direta: um mercado de trabalho mais aquecido significa mais vagas disponíveis, maior rotatividade de contratos e, historicamente, menos pressão competitiva para trabalhadores imigrantes em setores como serviços, construção civil, tecnologia e saúde.

Crescimento cinco vezes maior que o da Itália

No evento realizado no Palácio de la Moncloa, sede do governo, Sánchez destacou o desempenho espanhol frente aos parceiros europeus. Segundo o premiê, a Espanha deve crescer em ritmo cinco vezes superior ao da Itália em 2026, uma comparação que reforça o posicionamento da economia espanhola como uma das mais dinâmicas da zona do euro neste momento.

A projeção de 2,6% contrasta com a estagnação ou crescimento mínimo previsto para outras economias do bloco, como Alemanha e França, que ainda enfrentam os efeitos da crise energética e da contração industrial. Para quem acompanha o mercado europeu de fora, a Espanha emerge como um dos poucos destinos com perspectiva concreta de geração de emprego no curto prazo.

O desemprego abaixo de 10% é um marco simbólico relevante. O país chegou a registrar taxas superiores a 25% durante a crise financeira de 2012 e ainda rondava os 13% há poucos anos. A queda contínua sinaliza uma estabilização estrutural, embora economistas alertem que a qualidade dos empregos, com atenção ao peso dos contratos temporários, ainda seja um fator a monitorar.

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621 mil empregos: quem ocupa essas vagas?

O relatório apresentado por Sánchez aponta a criação de 621 mil postos de trabalho no ciclo avaliado. O governo atribui o desempenho à combinação de políticas de estímulo ao consumo interno, expansão do turismo, que registrou recordes históricos em 2024 e segue em expansão em 2025, e investimentos financiados pelo fundo de recuperação europeu Next Generation EU.

O setor de serviços concentra a maior fatia das novas contratações, seguido por construção e logística. São justamente os segmentos onde trabalhadores brasileiros têm presença consolidada, especialmente nas comunidades de Madri, Barcelona, Valência e nas Ilhas Canárias.

O relatório também menciona avanços na política migratória como parte da estratégia de resposta à demanda por mão de obra, um ponto de interesse direto para brasileiros em processo de regularização ou que aguardam autorização de residência e trabalho. O governo não divulgou novos números de vistos concedidos a latino-americanos neste balanço, mas o tema aparece como eixo de continuidade da agenda para o próximo ciclo.

Emergência climática entra na pauta política

Além dos dados econômicos, Sánchez usou a entrevista coletiva para pedir um pacto de Estado, termo usado na política espanhola para acordos multipartidários que transcendem governos, para enfrentar a crise climática. O país já registrou a queima de mais de 170 mil hectares em incêndios florestais neste ano, volume que preocupa ambientalistas e autoridades regionais.

O apelo dialoga com um contexto mais amplo: regiões como Galícia, Extremadura e Castela-La Mancha, onde há comunidades rurais com presença de descendentes de emigrantes espanhóis no Brasil, estão entre as mais afetadas pelos eventos climáticos extremos. A questão climática, que antes era tratada como pauta ambiental secundária, migra para o centro do debate político e econômico espanhol.

Contexto para quem decide morar na Espanha

Os indicadores apresentados por Sánchez compõem um quadro favorável no papel, mas merecem leitura crítica. A Espanha ainda convive com desigualdades regionais expressivas: enquanto Madri e o País Basco registram pleno emprego técnico, comunidades como Extremadura e Andaluzia mantêm desemprego acima da média nacional.

O custo de vida, especialmente o aluguel em grandes cidades, também subiu de forma consistente nos últimos dois anos, o que corrói parte do ganho salarial obtido com a valorização do mercado de trabalho. Barcelona e Madri figuram entre as capitais europeias com maior alta de aluguéis no período recente, pressionando principalmente trabalhadores recém-chegados.

Para brasileiros que pesam a mudança, o cenário de 2026 é mais positivo do que o de três anos atrás, mas exige planejamento financeiro, especialmente nos primeiros meses, quando a inserção no mercado formal pode levar tempo.

O próximo ciclo político de Sánchez será marcado pela aprovação do orçamento geral do Estado, ainda pendente no Congresso, e pela execução dos recursos europeus. O desempenho econômico projetado depende, em parte, desse avanço legislativo, que enfrenta resistências no parlamento fragmentado espanhol.

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