Alugar na Espanha Já Consome Mais da Renda do Que Financiar um Imóvel E Isso Muda Tudo para Quem Vai Morar no País
O que brasileiros precisam saber antes de decidir entre aluguel e compra na Espanha em 2025
Se você está planejando morar na Espanha e ainda não decidiu se vai alugar ou comprar um imóvel, preste atenção neste dado: pela primeira vez em anos, alugar custa proporcionalmente mais do que financiar. Segundo levantamento do portal imobiliário Idealista, o esforço médio para pagar o aluguel na Espanha chegou a 39% da renda familiar bruta, enquanto o custo de um financiamento imobiliário consome cerca de 29%. São 10 pontos percentuais de diferença que invertem uma lógica histórica e obrigam quem está chegando ao país a refazer as contas.
Para brasileiros em processo de imigração, essa inversão é especialmente relevante. A maioria chega pensando que alugar é o caminho mais seguro (e mais barato) no começo. Em muitos casos, ainda é a opção mais prática, mas já não é necessariamente a mais econômica.
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Custo de Vida: O Peso Real do Aluguel nas Principais Cidades
O mercado de aluguel espanhol está sob pressão há anos. A oferta encolheu, a demanda cresceu com a chegada de trabalhadores e nômades digitais, e os preços simplesmente não acompanharam os salários. Veja uma comparação de despesas mensais típicas para um casal sem filhos nas três cidades mais procuradas por brasileiros:
| Despesa | Madri | Barcelona | Málaga |
| Aluguel (2 quartos) | € 1.500–2.200 | € 1.600–2.400 | € 1.100–1.600 |
| Condomínio + luz + água | € 150–220 | € 150–230 | € 120–180 |
| Alimentação (supermercado) | € 400–550 | € 420–570 | € 350–480 |
| Transporte público (2 pessoas) | € 80–100 | € 90–110 | € 60–80 |
| Saúde (seguro privado) | € 80–150 | € 80–150 | € 70–130 |
| Total estimado | € 2.210–3.220 | € 2.340–3.460 | € 1.700–2.470 |
O aluguel, isoladamente, já representa entre 40% e 50% do orçamento total de um casal, antes de qualquer lazer, escola ou imprevisto.
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Alugar vs. Financiar: A Simulação Que Você Precisa Ver
Com o Euríbor atualmente em torno de 2,95% (após queda significativa em relação ao pico de 2023), o financiamento imobiliário voltou a ser competitivo na Espanha. Os bancos espanhóis costumam financiar até 80% do valor do imóvel para residentes, e em alguns casos 90% para primeira moradia.
Veja uma simulação comparativa para um imóvel de € 300.000 (faixa comum em Madri e Barcelona para apartamentos de 2 quartos em bairros bem localizados):
| Cenário | Detalhe |
| Financiamento (80%) | € 240.000 financiados |
| Prazo | 25 anos |
| Taxa (Euríbor + spread médio de 1%) | ~3,95% ao ano |
| Prestação mensal estimada | € 1.250–1.300 |
| Entrada necessária (20%) | € 60.000 + custos (~10%) = € 90.000 |
| Esforço de renda estimado | ~29% |
| Cenário | Detalhe |
| Aluguel equivalente | € 1.600–2.200/mês |
| Esforço de renda estimado | ~39% |
| Entrada necessária | Apenas caução (1–2 meses) |
O financiamento sai mais barato mensalmente, mas exige uma entrada expressiva. Para quem chega ao país sem essa reserva, o aluguel continua sendo o único caminho viável no curto prazo.
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Regiões: Onde Esse Cálculo Faz Mais Diferença
Madri
A capital tem os aluguéis mais caros e também os imóveis mais valorizados. Bairros como Lavapiés, Carabanchel e Vallecas têm aluguéis mais acessíveis (€ 1.200–1.500 para 2 quartos), mas a diferença em relação ao financiamento ainda é grande. Para quem tem capital e perspectiva de ficar pelo menos 7 anos, a compra começa a fazer sentido financeiro.
Barcelona
O mercado está ainda mais aquecido. A prefeitura limitou novos contratos de aluguel em muitas áreas, mas os preços seguem altos. Bairros como Sant Andreu, Nou Barris e Sarrià oferecem melhor relação custo-benefício. A compra aqui exige entradas ainda maiores, imóveis de 2 quartos bem localizados partem de € 350.000.
Málaga
É a cidade que melhor equilibra qualidade de vida e custo. O aluguel ainda é mais acessível que nas duas capitais, e o mercado de compra tem imóveis a preços mais razoáveis. Para brasileiros que trabalham remotamente ou têm flexibilidade de cidade, Málaga é atualmente a opção mais equilibrada financeiramente.
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Prós e Contras: Alugar vs. Comprar ao Chegar na Espanha
Alugar
Prós
– Flexibilidade para mudar de cidade ou bairro
– Sem burocracia de financiamento (essencial para recém-chegados sem histórico de crédito local)
– Menor comprometimento de capital inicial
Contras
– Custo mensal mais alto (39% da renda em média)
– Insegurança jurídica: contratos podem não ser renovados
– Dificuldade crescente para encontrar imóvel disponível
– Nenhum retorno patrimonial
Financiar
Prós
– Prestação mensal mais baixa que o aluguel equivalente
– Construção de patrimônio
– Estabilidade de moradia no longo prazo
Contras
– Exige entrada de pelo menos € 60.000–90.000 (para imóveis de € 300.000)
– Bancos espanhóis são mais exigentes com não residentes e recém-chegados
– Processo burocrático extenso (NIE, histórico de renda, avaliação do imóvel)
– Comprometimento geográfico
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O Que Isso Significa Na Prática Para Você
Se você está chegando agora na Espanha, alugar ainda será sua primeira etapa, e tudo bem. Mas o dado do Idealista deve entrar no seu planejamento financeiro desde o primeiro dia. Quanto mais cedo você construir reserva para uma entrada, mais cedo poderá inverter esse cálculo a seu favor.
Uma boa estratégia: alugar em bairro acessível por 2 a 3 anos enquanto acumula capital, constrói histórico de renda local e entende melhor o mercado da sua cidade. Depois, partir para a compra com mais segurança e melhores condições junto aos bancos.
A Espanha ainda oferece qualidade de vida difícil de replicar, mas o mercado imobiliário exige planejamento. Entrar com os olhos abertos é a melhor forma de não se frustrar.



