FIFA Cogita Transferir Final da Copa de 2030 para Marrocos, Deixando Espanha e Portugal de Fora
Mudança de sede da decisão do Mundial geraria impacto direto nas cidades espanholas e nos planos de torcedores brasileiros
MADRI – O presidente da FIFA, Gianni Infantino, teria proposto internamente que a final da Copa do Mundo de 2030 seja realizada em Marrocos, retirando da Espanha e de Portugal a chance de sediar o jogo mais importante do torneio. A informação, repercutida pela imprensa espanhola com base em veículos internacionais, ainda não tem confirmação oficial da entidade, mas já provoca reações nas federações europeias e acende o alerta entre torcedores e viajantes brasileiros que planejam estar no continente durante o torneio.
A Copa do Mundo de 2030 terá um formato inédito: seis países co-anfitriões distribuídos em três continentes. Além de Espanha, Portugal e Marrocos, que formam o bloco principal, Argentina, Uruguai e Paraguai receberão partidas comemorativas pelo centenário do Mundial. A final estava, até agora, presumida para ocorrer em território europeu, com o estádio Santiago Bernabéu, em Madri, e outros palcos espanhóis entre os favoritos.
O que estaria por trás da proposta
Segundo a imprensa espanhola, a articulação de Infantino teria motivações políticas internas à FIFA, em meio a disputas de influência entre blocos regionais dentro da entidade. Marrocos vem investindo pesadamente em infraestrutura esportiva: o país constrói o Grand Stade de Casablanca, projeto cujas estimativas de capacidade variam entre 93 mil e 115 mil lugares dependendo da fase e da fonte consultada, números que, se confirmados na versão final, colocariam o arena entre os maiores do mundo. O governo marroquino e a federação local têm usado esse argumento para reivindicar um papel de destaque no torneio, para além das partidas de fase de grupos originalmente previstas.
A semifinal histórica de Marrocos na Copa do Catar, em 2022, quando o país se tornou a primeira seleção africana a alcançar as semifinais de um Mundial, também é citada como elemento que aumentou o capital político do país dentro da FIFA.
O que muda para quem planeja viajar
Para o torcedor brasileiro que já organiza a viagem à Europa em 2030, a eventual mudança de sede da final altera de forma significativa a logística e os custos. Madri, Barcelona e Lisboa estão conectadas ao Brasil por voos diretos e integradas ao espaço Schengen, área de livre circulação entre a maioria dos países da União Europeia, que permite ao turista entrar uma vez e circular sem controle de fronteiras internas. Brasileiros não precisam de visto para visitar a Espanha por até 90 dias.
Casablanca, por outro lado, fica fora do espaço Schengen e exige um deslocamento adicional, seja aéreo, seja pela travessia do Estreito de Gibraltar, de barco entre Algeciras e Tânger. A boa notícia para o torcedor brasileiro: Marrocos também não exige visto de entrada para cidadãos brasileiros, com estadia permitida de até 90 dias. Ainda assim, a mudança representaria voos extras, hospedagem em outro país e câmbio em dirham marroquino, além do euro.
Cidades como Madri, Sevilha e Barcelona já contam com redes hoteleiras, transporte público e infraestrutura turística consolidadas para grandes eventos. Para brasileiros residentes na Espanha, muitos com descendência espanhola ou em processo de regularização pelo caminho da nacionalidade, uma final em Marrocos significaria abrir mão do privilégio de assistir ao jogo decisivo praticamente “em casa”.
Reação das federações europeias
A Real Federación Española de Fútbol (RFEF, a federação espanhola de futebol) e sua congênere portuguesa ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o assunto. Fontes ouvidas pela imprensa local indicam desconforto com a possibilidade, sobretudo porque Espanha e Portugal lideraram o dossiê de candidatura e assumiram compromissos políticos e financeiros com base em um formato que presumia a decisão em solo ibérico.
A FIFA, por sua vez, não confirmou nem desmentiu a proposta até o fechamento desta edição. A entidade tem até 2027 para definir oficialmente as sedes de cada fase do torneio, incluindo a final.
Próximos passos
O tema deve ganhar centralidade no próximo Conselho da FIFA, previsto para o segundo semestre de 2026. Qualquer mudança formal precisaria ser aprovada pelo colegiado da entidade, o que significa que a proposta de Infantino ainda enfrenta um caminho longo antes de se tornar decisão. Espanha e Portugal devem pressionar diplomaticamente para manter a final em território europeu.
Para brasileiros que já reservaram pacotes de viagem com foco nas cidades espanholas, a recomendação é acompanhar os desdobramentos antes de fechar contratos que incluam a fase final do torneio. A definição oficial pode demorar meses e o mapa do Mundial de 2030 ainda tem muito a mudar.



